Como prometido na postagem do dia dos professores, retomo a discussão sobre as causas da ineficiência do sistema educacional brasileiro.
Entre os vários problemas, considero como fator principal a situação salarial dos profissionais da área. Não existe perspectiva de melhorias efetivas no sistema enquanto esse ponto não for devidamente considerado, pois a implantação de todos os outros depende da motivação dos professores, que não podem estar motivados com a remuneração vergonhosa que recebem na maioria das redes de ensino do país.
Atualmente, a maioria dos professores da educação básica já possui formação superior e a tendência é de que esse contingente aumente cada vez mais, inclusive por conta das novas exigências do MEC. Entretanto, o salário do magistério é incompatível com esse nível de instrução. Em alguns estados, o piso salarial é menor do que o salário mínimo. Nenhum outro profissional com o mesmo nível de formação tem uma remuneração tão baixa. Outros postos de trabalho, com requisitos de escolaridade bem mais baixos, muitas vezes oferecem uma remuneração mais atrativa. Não podemos nos esquecer da dimensão humana dos professores, ao contrário do que muitos pensam, nós não somos super-heróis! É óbvio que não dá pra ter motivação; depois de anos de estudo e dedicação, o que recebemos em troca é um salário ainda menor do que aquele que poderíamos obter se não tivéssemos nos dedicado tanto.
Muitos leitores podem se perguntar: "sabendo que os professores são mal pagos, por que escolheram essa profissão"? Acontece que, felizmente, ainda existem pessoas que buscam trabalhar no que gostam e não necessariamente nas carreiras mais bem pagas. Mas é diferente, a pessoa pode até não querer ser rica, mas com certeza, todos anseiam por um salário digno.
O que acontece, é que como o salário de um cargo não consegue suprir as necessidades do professor, ele acaba precisando trabalhar em mais de uma escola, o que é péssimo para a qualidade da educação. Trabalhando em escolas diferentes, o professor gasta um tempo precioso que poderia estar sendo usado para aprimorar a sua prática pedagógica. Mas como é preciso viver correndo de uma escola para outra, não dá tempo de se atualizar, de se qualificar, de preparar adequadamente as aulas. O que é preciso entender é que tudo isso consome tempo! Uma educação de qualidade exige que o docente tenha tempo para se dedicar. O ideal seria o professor lecionar apenas em uma escola; o que levaria a uma maior identificação entre professores e comunidade escolar. Além disso, o tempo de atividades extra-classe seria gasto exclusivamente para as turmas daquela escola, resultando em contínua melhoria da qualidade de ensino. Mas para isso, seria necessário que o professor tivesse dedicação exclusiva em seu cargo, o que só é possível se o salário de apenas um cargo atender às suas necessidades.
No mês de julho, o presidente Lula sancionou a Lei 11.738, que determina o Piso Nacional do Magistério, de autoria do senador Cristovam Buarque. Sem dúvida, é um avanço, mas ainda sim deixa muito a desejar. O valor proposto, de R$950, corresponde a pouco mais de dois salários mínimos, para uma carga horária de ATÉ 40 horas semanais. Mesmo diante desse valor nitidamente incompatível com as responsabilidades, com o trabalho e com a formação de um professor; vários estados se colocaram estritamente contra a lei, inclusive questionando sua constitucionalidade no STF (caso do estado de Minas Gerais, por exemplo). A gritaria por parte dos governos estaduais é completamente injustificada, uma vez que o texto da lei prevê complementação do governo federal para os estados que não possam pagar o piso.
Diante de toda esta problemática, muitos ainda querem jogar a responsabilidade da má qualidade da educação nos professores. Este cenário, conjugado com outros problemas enfrentados pelos docentes da educação básica, é determinante para o desânimo e passividade do professor diante de sua função. O professor vive doente, frustrado, stressado e não rende o que poderia no trabalho. Não adianta apenas qualificação, que estímulo ele tem para se aprimorar se vai continuar ganhando uma miséria? Os planos de carreira, com raras exceções, são aberrações que promovem muito mais injustiças do que reconhecimento, isso quando existe um plano de carreira.
O caminho para começar uma transformação dessa realidade tem início, obrigatoriamente, na remuneração justa de quem está lá na frente da sala de aula. Enquanto isso não acontecer, não adianta estabelecer metas a serem cumpridas nem ameaçar os professores, pois eles não irão corresponder. A maioria já dá o melhor de si no exercício de sua função. É imprescindível que o Brasil perceba que dinheiro colocado em educação não é gasto, é investimento!
24 outubro, 2008
21 outubro, 2008
Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
Está aberta a Semana Nacional de C&T 2008, com o instigante tema: Evolução e Diversidade, temática proposta em comemoração aos 150 anos da Teoria da Seleção Natural, de Charles Darwin. A abertura se deu ontem à tarde e o evento termina no próximo dia 26. Nesta edição, 714 instituições ligadas à ciência e tecnologia espalhadas pelo país participam do evento, totalizando 9443 atividades cadastradas. A Semana Nacional de C&T, que acontece desde 2004, tem como objetivo "mobilizar a população, em especial crianças e jovens, em torno de temas e atividades de ciência e tecnologia (C&T), valorizando a criatividade, a atitude científica e a inovação. Pretende também chamar a atenção para a importância da C&T para a vida de cada um e para o desenvolvimento do País, assim como contribuir para que a população possa conhecer e discutir os resultados, a relevância e o impacto das pesquisas científicas e tecnológicas e suas aplicações." Confira a programação completa no site oficial do evento.
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15 outubro, 2008
15 de outubro - dia do professor: há o que comemorar?
Aos colegas de profissão, ainda a tempo, meus parabéns!
Mas, infelizmente, não temos muito o que comemorar no dia de hoje. Toda vez que são divulgados os índices da área de educação no Brasil, o resultado é sempre desanimador. Mas qual seria a causa de tamanho atraso em nosso país? Muito se tem especulado sobre as causas, porém de forma reducionista, atribuindo a culpa quase sempre ao professorado. Sempre vejo entre as causas apontadas pelo governo a falta de qualificação dos professores. Inclusive o MEC está revendo o processo de formação de professores, com a promessa de reformar o currículo dos cursos de licenciatura. Quem dera o problema fosse só esse... as causas da má qualidade da educação brasileira têm raízes profundas e históricas. Veja bem, eu disse "causas", pois são inúmeras as variáveis que contribuem para o nosso fracasso nacional. A complexidade do problema é muito maior do que se diz por parte do governo e também de grande parte da sociedade. Entre os obstáculos, temos a péssima remuneração dos profissionais da área, a falta de comprometimento das famílias, a modificação dos valores na sociedade contemporânea, os problemas sociais diversos, etc. Poderia gastar a noite toda enumerando os entraves. Mas esse é só o primeiro de uma série de posts e em breve tratarei desses obstáculos mais detalhadamente. Por ora, gostaria apenas de propor uma reflexão sobre a "aparente simplicidade" do problema, alardeada pela mídia em geral: será que esse cenário é realmente fruto de uma única causa?
Mas, infelizmente, não temos muito o que comemorar no dia de hoje. Toda vez que são divulgados os índices da área de educação no Brasil, o resultado é sempre desanimador. Mas qual seria a causa de tamanho atraso em nosso país? Muito se tem especulado sobre as causas, porém de forma reducionista, atribuindo a culpa quase sempre ao professorado. Sempre vejo entre as causas apontadas pelo governo a falta de qualificação dos professores. Inclusive o MEC está revendo o processo de formação de professores, com a promessa de reformar o currículo dos cursos de licenciatura. Quem dera o problema fosse só esse... as causas da má qualidade da educação brasileira têm raízes profundas e históricas. Veja bem, eu disse "causas", pois são inúmeras as variáveis que contribuem para o nosso fracasso nacional. A complexidade do problema é muito maior do que se diz por parte do governo e também de grande parte da sociedade. Entre os obstáculos, temos a péssima remuneração dos profissionais da área, a falta de comprometimento das famílias, a modificação dos valores na sociedade contemporânea, os problemas sociais diversos, etc. Poderia gastar a noite toda enumerando os entraves. Mas esse é só o primeiro de uma série de posts e em breve tratarei desses obstáculos mais detalhadamente. Por ora, gostaria apenas de propor uma reflexão sobre a "aparente simplicidade" do problema, alardeada pela mídia em geral: será que esse cenário é realmente fruto de uma única causa?
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Start!
Ok, acabei me rendendo ao recurso dos blogs para divulgar o que penso e também para conhecer e debater outros pontos de vista, diferentes dos meus. Há tempos tenho pensado nisso e muitos amigos me recomendavam que eu escrevesse para mais pessoas. Pois, atendendo aos pedidos, aqui está meu blog. Espero que gostem!
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