A greve dos professores da rede estadual chegou ao fim. Ontem, durante assembleia em Belo Horizonte que reuniu cerca de oito mil pessoas, a categoria aceitou as propostas feitas pelo Governo do estado para retornar às salas de aula. No entanto, em Juiz de Fora, os profissionais só devem voltar às escolas amanhã. De acordo com a regional Zona da Mata do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Estado de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), os servidores ainda querem ler o documento elaborado durante a discussão com o Executivo. “Queremos confirmar se tudo que negociamos está lá. Com o acordo em mãos, poderemos esclarecer os pontos para a categoria”, explicou a coordenadora do Departamento de Comunicação do Sind-UTE, Yara Aquino, lembrando que os trabalhadores farão nova assembleia hoje à noite para encerrar o movimento.
Os professores só aceitaram encerrar as negociações depois que a secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena, concordou em formalizar as propostas levantadas na última segunda-feira. O documento propõe a elaboração de projeto sobre incorporação de benefícios ao vencimento básico e garante que os grevistas não serão punidos administrativamente. No entanto, não contempla a principal reivindicação da categoria que é a implantação do piso salarial nacional de R$ 1.312. De acordo com a secretária, o calendário de reposição deverá ser definido entre a Superintendência Regional de Ensino e as escolas no prazo de dez dias. Além disso, ficou acordado que os professores não terão os dias de greve descontados do salário. Uma folha suplementar será implantada em junho para pagar os dias repostos.
Os trabalhadores estavam em greve desde o dia 8 de abril. No início de maio, o desembargador Wander Marotta, da 7ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, considerou o movimento inconstitucional já que colocava “em risco a qualidade da educação, podendo acarretar prejuízos irreparáveis ao interesse do Estado”. O sindicato ainda foi multado em R$ 10 mil por dia de paralisação. Na semana passada, a Justiça bloqueou a conta bancária do Sind-UTE e aumentou a multa diária para R$ 30 mil. No entanto, há a possibilidade de que nenhum desses valores não seja cobrado. Durante a negociação, ficou acordado que o Governo pedirá anulação da decisão judicial, desobrigando o pagamento das multas.